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© 2018 SUPERNOVA DIGITAL por VÂNIA CAPARROZ para LUCIANO PASSIANOTO | Psicoterapeura

​Bullying: Lei cria Programa Nacional de Combate à Intimidação Sistemática

 

Há 20 dias entrou em vigor no país a lei que cria o Programa Nacional de Combate à Intimidação Sistemática, que pretende prevenir e combater a prática do bullying especialmente nas escolas. 
De acordo com a lei, o objetivo não é punir os agressores, mas sim oferecer mecanismos que promovam a mudança do comportamento hostil.
A criação da norma reacende o debate sobre o bullying, classificado no texto como os atos de violência física ou psicológica que ocorrem de maneira intencional, repetitiva e sem motivação evidente. Pode ser praticado por uma pessoa ou por grupos, visando a intimidação e a agressão, em uma relação de desequilíbrio de poder entre as partes.

Casos de pessoas que são sistematicamente perseguidas, em especial crianças e adolescentes, acontecem todos os dias – e o fenômeno parece ter se tornado uma epidemia mundial nos últimos anos.

De acordo com Luciana Barros de Almeida, presidente da Associação Brasileira de Psicopedagogia, ABPp LINK! http://www.abpp.com.br/, o problema é antigo, mas hoje fica mais evidente por conta da internet, além de ser potencializado por mudanças nas características da sociedade. “Vivemos uma era onde o individualismo prevalece”, diz Luciana.

O resultado, segundo a especialista, são crianças e jovens que procuram reafirmar a si mesmos através da diminuição do outro.

Entendendo o agressor

O comportamento agressivo pode começar ainda na infância. Mesmo crianças pequenas podem começar a perseguir os colegas, dar apelidos, ressaltar “defeitos” dos outros.

No entanto, segundo o psicólogo clínico Luciano Passianotto, é difícil avaliar esse perfil em crianças com menos de cinco anos.

“Ela [a criança] ainda está desenvolvendo sua capacidade de sentir empatia e de compreender as consequências de alguns dos seus atos”, afirma. Isso significa que um desvio ou outro podem acontecer, mas com a devida orientação dos pais, tendem a ser corrigidos.

Conforme a criança cresce, porém, alguns sinais podem indicar problemas mais graves. Segundo Passianotto, comportamentos inadequados de forma repetida, quebra deliberada de regras, mentiras, ação violenta com pessoas ou animais, falta de tolerância com as frustrações e tentativas de manipular e acobertar desvios devem acender o sinal de alerta dos pais.

Esses casos podem, de acordo com a psicóloga Cynthia Wood, da clínica Crescendo e Acontecendo, indicar transtornos que precisam ser tratados com um profissional.

“Existem casos de crianças com algum transtorno de conduta, com áreas do cérebro ligadas ao comportamento inibitório comprometida. Para estas o diagnóstico e tratamento precoce são muito importantes”, diz Cynthia Wood.

Outros problemas, além dos transtornos, podem também levar ao comportamento agressivo por parte da criança.

“Existem fatores genéticos, neurológicos e bioquímicos que levam uma criança ou adolescente a ter um comportamento mais agressivo, mas em muitos casos essa tendência pode ser reflexo da experiência ou do ambiente”, ressalta Passianotto.

Esse comportamento pode ser alimentado pelo sentimento de negligência, quando a criança pratica as agressões para “chamar a atenção” dos pais, e também como repetição daquilo que é observado dentro de casa. Se os pais costumam rotular a criança, chamando-a de “burra”, por exemplo, ela pode passar a copiar esse comportamento, tornando-se agressora. “Como forma de defesa ela pode tentar reverter papeis, vitimando aqueles à sua volta”, diz Wood.

Em outros casos, podem acabar tendo a autoestima tão abalada que acabam por aceitar os rótulos, tornando-se vítimas. “A criança pode se “acomodar” com esse rótulo, aceitando-o, não havendo portanto motivação para o desenvolvimento das qualidades criticadas”, afirma a psicóloga.
E as vítimas?
As vítimas de bullying podem sofrer diversas consequências após a agressão, que, se não tratadas, podem ser levadas por toda a vida. O resultado são adultos inseguros, com baixa autoestima, ou agressivos, numa tentativa de reverter a situação. “O bullying pode causar transtornos de personalidade, por conta da angústia e do sofrimento, problemas de aprendizagem e também comportamentais”, afirma a psicopedagoga Quézia Bombonatto, diretora da ABPp.
Identificar que o problema está ocorrendo e fazer uma intervenção o mais rápido possível é o melhor caminho para evitar que o problema chegue a essa dimensão. Para isso, é preciso que os pais estejam atentos ao comportamento dos filhos e que se mostrem sempre abertos ao diálogo, alimentando a conexão entre as duas partes.

“Passar a evitar ir à escola ou mesmo falar sobre ela, mudança no humor, evitar certas pessoas, aparecer com ferimentos ou hematomas sem explicação, ter problemas para dormir e mesmo começar a apresentar comportamentos agressivos podem indicar que a criança está sofrendo bullying”, explica Luciana Barros de Almeida, presidente da ABPp. 
Uma vez identificado que a criança está sofrendo bullying, os pais devem procurar a escola, que é uma importante mediadora de conflitos. Em alguns casos, pode ser preciso procurar a ajuda de um profissional.


“A estratégia para superar ou reverter essa situação é diferente dependendo de cada caso, mas um trabalho de conscientização sobre as qualidades e defeitos da criança é um excelente primeiro passo para se elaborar formas de lidar com a situação”, explica Cyntia Wood.

O papel da escola

Para Quézia Bombonatto, a escola tem papel fundamental na prevenção e no combate ao bullying. “O papel do educador e da escola é trabalhar a conscientização do que é o bullying, o quanto ele é prejudicial e diferenciar que o agressor também é um problema, não só a vítima” diz. “Deve-se trabalhar prevenção e conscientização.”

Para reverter o problema, ela defende que o educador avalie cada caso e converse com os todos os lados – e não só com a vítima. “A primeira coisa é conversar com o agressor e com a vítima. Com o agressor, ver quais as motivações. O agressor é tão problemático quanto a vítima. O professor precisa conversar, ver, sondar, diagnosticar a situação do agressor”, explica Luciana. “O professor também precisa buscar na vítima do bullying qual o papel dele, por que ele chegou a esse papel permissivo, não conseguiu se colocar ou se posicionar diante do grupo.”

Mas além dessas duas partes, há ainda uma terceira: aqueles que assistem. “Os que assistem são passivos mas coniventes, muitas vezes por medo de se tornarem as próximas vítimas. É preciso sondá-los também, e fazer um diagnóstico do grupo”, diz a especialista.

 

Leia o atrigo original aqui

 

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