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​Vasculhar ou não a vida dos filhos, eis a questão

 

Revirar mochilas, mexer em gavetas, ler mensagens, acompanhar as redes sociais... qual o limite na hora de acompanhar a vida dos filhos?

Existem várias formas de xeretar a vida dos filhos – principalmente a dos maiorzinhos e dos adolescentes, já que a maioria dos pequenos gosta de contar o que acontece na escola ou durante as brincadeiras com os amigos.

Revirar mochilas, mexer em gavetas, ler mensagens, agendas ou diários, acompanhar cada passo nas redes sociais e até mesmo surgir como quem não quer nada na escola ou na festa são algumas das artimanhas que os pais lançam mão para saber tintim por tintim o que acontece na vida dos seus pimpolhos, quando eles não estão por perto.

Tanto zelo parece louvável. Afinal, como diz o antigo ditado, quem ama cuida.

Mas será que alguns limites tênues que separam o cuidado da intromissão não são ultrapassados? E, na tentativa de preservar os filhos de alguns problemas – como a possível influência de más companhias –, esses pais não estariam prejudicando o desenvolvimento de sua autonomia e autoconfiança?

Na opinião da psicóloga clínica Rejane Sbrissa, de São Paulo, ficar de olho na conduta dos filhos é essencial, mas os pais devem sempre apostar numa postura equilibrada, demonstrando interesse e participação sem serem intrusivos.

Vascular mochilas e armários, por exemplo, é uma ação que nunca deve ser feita de maneira sorrateira. Os filhos costumam perceber e acabam irritados, além de aprenderem uma lição errada.

"Na verdade, você está ensinando que a criança ou o adolescente também deve fazer as coisas às escondidas. Mostre preocupação, mas confiança também”, fala Rejane. Quer saber de algo? Chame para conversar.

“Eu costumava fuçar em tudo o que podia. Até que um dia a Bia percebeu e tomou a iniciativa de vir falar comigo. Ela disse: ‘Mãe, se você quer saber alguma coisa, me pergunte e eu respondo. Mas mexer nas minhas coisas é muito irritante. Parece que você não confia em mim. Aprendi, né?”, revela a dentista Fernanda Valentino, de 31 anos, mãe de Beatriz, 14.

Espaço para a autonomia

É importante evitar ações que desrespeitam a individualidade ou a privacidade. "Recomendo atenção extra às situações em que a criança ou o adolescente está sendo notado pelos outros, que é quando se sentem mais expostos”, salienta o terapeuta familiar Luciano Passianotto, também da capital paulista.

Um bom exemplo? Aparecer de surpresa na escola ou na festinha pode constranger e deixar a criança envergonhada. “Em vez de surgir nos lugares que seu filho frequenta com a intenção de espionar, conheça bem o lugar que ele costuma ir e com quem”, diz Rejane.

Não há uma receita ideal, pois as crianças têm características comportamentais e de personalidade diferentes – mesmo irmãos gêmeos não devem ser tratados de maneira igual.

O fundamental, de acordo com especialistas, é que os pais deem espaço para que os filhos consigam desenvolver suas próprias estratégias para lidar com questões, pessoas e situações, instruindo-os sem imposições a todo o momento.

“Não se deve menosprezar a capacidade de discernimento das crianças. Infantilizá-las e tomar todas as decisões por elas gera sentimento de incapacidade e dificulta o desenvolvimento do julgamento e de habilidades necessárias para lidar com as diferentes circunstâncias”, observa Luciano.

É necessário demonstrar confiança e introduzir as noções de responsabilidade aos poucos, já preparando a criança para ter mais autonomia e independência, que virão no futuro próximo. Essa confiança, entretanto, precisa ser mostrada gradativamente e de acordo com a capacidade de resposta de cada uma.

Vigilância à distância

Muitos pais buscam definir tudo e tomar todas as decisões relativas aos filhos. Por mais que pareça ser a melhor forma de evitar decisões erradas, essa atitude impede que a criança aprenda a tomar decisões sozinha e a responder às situações quando estão longe dos pais.

“Isso pode torná-las passivas e dependentes. O ideal é manter a vigilância de longe, mas aos poucos deixar a própria criança fazer algumas escolhas. Não espere que todas as decisões sejam maduras e acertadas; o importante é aprender”, avisa Luciano.

“Não se pode deixar de ‘olhar’ os filhos, o que eles fazem na internet, com quem se correspondem. Mas isso tudo vai depender da relação de amor, cuidado e confiança que os pais já deveriam ter com eles desde cedo”, completa Rejane.

Vale lembrar que agir no sentido oposto, ou seja, deixar totalmente livres, também não dá certo. Pais muito permissivos transmitem a sensação de que não se importam com o que os filhos fazem ou deixam de fazer. Eles encaram tal atitude como descaso e até mesmo desamor.

Diálogo e confiança

É possível obter informações da rotina das crianças na escola ou do convívio entre os amigos sem parecer intrometido demais. O segredo é simples: tornar, desde a mais tenra idade, a experiência do compartilhamento de informação algo rotineiro, tranquilo e transparente.

As conversas devem ser em tom natural e qualquer correção necessária deve soar como ajuda, nunca como castigo. Quando a criança se sente confortável e sem o receio de intervenções e represálias a todo o tempo, vai compartilhar as informações muito mais facilmente.

Outra ideia que funciona muito bem com crianças maiores e adolescentes é explicar os motivos das suas preocupações. “Fale a razão de você querer saber onde seu filho está, com quem fala nas redes sociais, como se comporta na escola ou nas festas... Aja abertamente. Converse, esteja presente, convide os amigos dele para a sua casa sempre que puder”, diz Rejane.

“Eu sempre deixei o Marcelo fazer o quisesse. Desde que, é claro, respeitasse os nossos acordos, como voltar no horário combinado, e que eu soubesse direitinho onde, como, com quem e porquê. Já avisei: ‘Mentiu, tudo muda’. Tem dado certo”, conta Maria Cláudia Pena, administradora de empresas de 45 anos, mãe de um adolescente de 17.

 

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